Crise – Alguém gane

Alguém gane.

Não é choro nem lágrima. Só o faz para não ter que morder. Atrás do papiro vive uma silhueta, um volume de dúbia compreensão. Nesses contornos semelhantes, apenas semelhantes ao corpo do Homem, mora a insondável e imperceptível cicatriz latejante em Euros que desvendada nos paralisa o sangue que corria faz um instante, esse que foi de extrema corrupção.  É a ingratidão a nascer.  Aquela dor. O pavor de passar junto à cama e que uma mão nos agarre o pé, ou alguém saído do escuro nos destape, ficando naquele nojo a olhar para quem roubou as nossas horas de um relógio ainda cheio de esperança, mas já sem os ponteiros.  É a memória. E benditos sejam aqueles que nunca passaram por isto, pois é  deles o Reino dos Céus e uma invejável paz.

Aponta bem ©

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